
E é por isso que fazem poesia, para trazê-los de novo à vida.
A poesia opera ressurreições.
Rubem Alves

E é por isso que fazem poesia, para trazê-los de novo à vida.
A poesia opera ressurreições.
Rubem Alves

Sou dessas pessoas que sofrem com os próprios pensamentos.
Sou uma alma atormentada pelos fantasmas que ela mesma cria.
Não sei ser diferente... não aprendi a ser diferente...
Imponho condições àquilo que não as possue.
Vivo em castelos de príncipes imaginários, mágicas fantásticas, amores intensos irrealizados.
Sou uma piada de mim mesma
Sou minha própria caricatura
Sou algo que nem mesmo sei
Procurando coisas que sequer existem
(ilustração do meu amigoirmão Diogo Oliveira, olhos profundos, alma atormentada que tem o dom de transformar o que escrevo em imagens perfeitas)
O que fazer quando se perde a esperança??
Sempre fui crédula. Tinha pra mim uma espécie de lema: "Nunca desistir".
Mas, o que se faz quando desistem de você?Não falo apenas de pessoas, ou de relacionamentos amorosos, mas de tudo.Quando o mundo parece desistir de você?
O trabalho não dá certo... sua cabeça parece estar fora do lugar... os planos desandam... nada flui.
Fica difícil manter a positividade, os bons pensamentos.
Inevitável questionar: " que foi que eu fiz de errado???"
Certamente há algum erro...
Sonhei...
Mas é cruel sonhar e depois ter que acordar e constatar que não era real.
Daria tudo para viver o sonho na mesma intensidade, com os mesmos detalhes e sensações.
Mas como é cruel a sensação de saber que tudo aquilo que parecia tão real, era um sonho...
Inconfessável...
Há certas coisas que ficam confusas no meio do caminho...
Eventualmente nos encontramos entre idas e vindas no corredor da casa.
Nos esbarramos como se fossemos paredes estreitas que atrapalham o caminho.
Já não sabemos mais o que falar...
Sentamos frente a frente na mesa do jantar e acidentalmente nossas mãos se tocam...e
percebemos que não sabemos mais como tocar um ao outro.
E quando os lábios se tocam, num lapso do que a relação foi um dia, não sabemos mais beijar.
Não há mais alegria ou prazer, há apenas acomodação e dor.
Uma dor velada, que fingimos não sentir. E procuramos desculpas, razões, motivos, que nos façam permanecer assim,
mas apenas nós sabemos que nada mais existe.

"Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos...
"Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoista e mau.
E a minha poesia é um vício triste, Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.
Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...
E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada, numa alegria atônita...
A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos."
Mario Quintana

Porque me olhas assim?
Te olho e nem sei... se o que vejo é teu reflexo no meu olhar
ou se sou eu olhando através dos teus olhos.
Espelho da alma...
lânguido, matreiro, sacana, espantado, cansado, drogado, fechado...
Teu olhar, minha morada... minha tortura e meu alento.
Olho-te com desejo, com falta, com ódio ou com amor.
Olho-te com alma, e te vejo assim, em carne.
O que será que este olhar me mostra?
Dentre tantas coisas ruins na internet, encontrei uma coisa boa.
Acessem: http://rapsodia2tempos.blogspot.com/

Sei que estou distante,
mas este é o momento de parar pra pensar,
pra respirar, pra compreender, mudar
e depois...
continuar.

Desse jeito excessivamente romântico de ver a vida, nada sobra além de conclusões vazias baseadas numa percepção distorcida.
Romantismo nada te oferece, apenas a possibilidade da fantasia desenfreada, da imaginação que se confunde com a realidade e te leva pra lugares impossíveis.
Alguns chamam de "fuga". Eu chamo de "flutuação involuntária". (podem rir)
O romantismo te faz esperar o milagre que nunca vem, e mesmo assim manter a esperança. Perda de tempo.
O romantismo te faz preencher os pensamentos com coisas inúteis e sem sentido.
O romantismo te faz vestir branco e rosa (acredite não há nenhuma vantagem nisso), e se achar a mulher mais linda do mundo.
Te faz cheirar flores, esperar o telefone tocar ou esperara que determinada pessoa fique on-line mesmo que vc não a conheça. Te faz perder a hora do trabalho pra bater papo ou trocar confidências sobre um amor virtual (nunca real). Ler poesias compulsivamente, especialmente Neruda, e chorar ao ouvir aquela música que te lembra aquele dia. Te faz esperar respostas em vão.
E, acima de tudo, te faz acreditar que na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, apenas a morte os separará.
"Ela estava calada. Por fim, olhou para mim, como quem censura, e tanta dor aguda havia em seu olhar, tanto sofrimento, que entendi como sangrava o seu coração ferido..."
Fiódor Dostoievski - Humilhados e Ofendidos

Com a cabeça no trilho do trem...
Vago como um fantasma por estas portas fechadas,
nenhuma se abre pra mim.
Sobrevoo as desgraças das vidas alheias.
Ouço vozes que gritam e calam e gritam.
A cabeça no trilho do trem...
E vago com meus fantasmas pelas portas abertas de minha casa,
mas todas parecem fechadas pra mim.

Junto à minha rua havia um bosque
Que um muro alto proibia
Lá todo balão caia, toda maçã nascia
E o dono do bosque nem via
Do lado de lá tanta aventura
E eu a espreitar na noite escura
A dedilhar essa modinha
A felicidade morava tão vizinha
Que, de tolo, até pensei que fosse minha
Junto a mim morava a minha amada
Com olhos claros como o dia
Lá o meu olhar vivia
De sonho e fantasia
E a dona dos olhos nem via
Do lado de lá tanta ventura
E eu a esperar pela ternura
Que a enganar nunca me vinha
Eu andava pobre, tão pobre de carinho
Que, de tolo, até pensei que fosses minha
Toda a dor da vida me ensinou essa modinha
Chico Buarque

Perco pedaços pelo caminho
mal contenho aquilo que preciso carregar
Sou pedra, sou ponta de lança
Não choro, não falo, não ando
Nos momentos de solidão, viajo em meus devaneios
Solto o corpo no ar... e caio como pena
Grito alto, mas só os surdos me ouvem
Sou espinho, pimenta.
Sofro de excesso de consciência.


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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, VILA CLEMENTINO, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Livros, Arte e cultura, poesia, poesia, poesia...
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